PRODUTORES RURAIS APOSTAM NA UVA

O casal Leonardo e Ana mora, trabalha e cria os 2 filhos em Belo Horizonte – MG. Leonardo é Engenheiro e Ana é Advogada. Eles vêm sempre a Lima Duarte, porque os pais de Leonardo, José Carvalho e Tantinha, têm terras e produção rural aqui. O casal começou, então, a se interessar pela produção rural. À princípio, com o leite e, depois de 2017, com o cultivo de uvas e a produção de vinhos, em uma área pequena da Fazenda Cocais.
Em 2014, José Carvalho passou a administração da produção leiteira pra Leonardo. Mas o engenheiro conta que ficou inviável continuar, devido à dificuldade de morar longe e por ser o leite uma atividade complexa, que exige a participação do dono no dia a dia. Em 2017, desistiu do leite e, em 2018, fizeram um leilão de todas as vacas, porque pensava em uma outra atividade rural.
A idéia das uvas surgiu quando Ana participou de eventos no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, aonde foram servidos vinhos mineiros, o Maria Maria e o Luiz Porto. O casal passou a se interessar pelo cultivo da uva e produção do vinho e pesquisaram bastante antes de “se aventurar”. Viram que MG e SP já têm vários cultivos e produções de vinhos que estão sendo bem reconhecidos.
Eles explicam que o berço da produção de vinhos é a Epamig de Caldas – MG, que é especializada na pesquisa de uvas e vinhos. Já fizeram várias visitas, mas a Epamig não pode dar consultorias no campo, pois se trata de uma empresa de pesquisa. Caldas é próxima a Andradas, que tem uma colônia italiana que já cultivava uvas para sucos e para vinhos de mesa. Atualmente, os produtores, então, colhem as uvas e as levam pra Epamig Caldas, para a vinificação.
O início foi em 2017, quando ficaram 2 anos tratando a terra e plantando milho, por ser uma cultura rápida, que produz muita matéria orgânica, enriquecendo o solo e pagando as despesas. Escolheram iniciar no alto do morro, por ser uma terra bruta, usada provavelmente há mais de 100 anos como pasto para criação de gado leiteiro.
Após vários estudos e análises, viram que as condições climáticas do local estão dentro do esperado. E plantaram, então, 1800 mudas de uvas Syrah e 1700 Sauvignon Blanc, sendo 600 de cada importadas da Itália e o restante proveniente do Viveiro Vitácea, localizado também em Caldas – MG.
Leonardo explica que o cultivo da uva tem várias fases, como o plantio, o crescimento e duas podas anuais, e que o nível de exigência nutricional do solo da uva é muito grande. O tempo de maturação pleno é de 5 a 7 anos após o plantio. A 1ª colheita foi realizada em 2022, quando produziram 100 garrafas de vinho, sendo 80 do Syrah e 20 do Sauvignon Blanc. No segundo ano, colheram o suficiente para a produção de cerca de 400 garrafas.
O casal relata que plantam uma média de 2000 mudas/ano, das mesmas 2 variedades e já têm 9700 plantadas. A expectativa para 2025 é de colher para produzir de 650 a 700 garrafas de vinho. A meta é ir ampliando a produção e chegar a 6 a 7 mil garrafas em 2026. Até 2028, pretendem construir a própria vinícola, mas precisam, até lá, de um maior volume de uvas.
Leonardo compara a mão de obra utilizada no cultivo das uvas com o milho, ressaltando que o milho precisa de 1 pessoa por 100 hectares, enquanto a uva precisa de 2 pessoas por cada hectare. E relata que 1 muda custa R$ 12,00, sendo que o custo de produção é 53% de mão de obra. Além disso, a uva requer mão de obra especializada, máquinas caras, investimento e aperfeiçoamento constantes. O casal já investiu um valor expressivo desde o início, ainda sem retorno. Hoje têm 2,5 hectares plantados e querem chegar a 7 hectares.
Eles já moraram na França, visitaram e estudaram a cultura em paralelo às atividades profissionais. Em 2023 foram à França, visitaram o Vale do Rhone, região que tem os vinhos tintos da uva Syrah mais premiados e famosos. Em junho de 2024 foram à Itália também visitar vinícolas e fornecedores especializados. Ana conta que vinho é uma paixão. Gosta de estudar, é curiosa, faz cursos na área e agora está fazendo um curso de Sommelier. Quer passar a cultura e as experiências pra outras gerações, como o casal de filhos que já têm. A Vinícola chama-se Garcia de Paula, por unir os nomes das 2 famílias, e pra fazer história, um legado de família. Os vinhos são o Benvindo – nome do avô materno, e Nyna – nome da avó materna.
Outra ideia é, no final de 2025, abrir a Fazenda pra visitação guiada e degustação. O projeto está em andamento, valorizando a estrutura colonial e antiga. Querem receber de 20 a 30 pessoas pra degustação. “Lima Duarte tem potencial grande pro turismo e pode expandir pra área das uvas e vinhos, o Enoturismo. O vinho em MG sofre com o desconhecimento e o preconceito. Mas já temos boas produções e vinhos de qualidade. Já somos vários produtores por diversas regiões do Estado, mais de 100, em diferentes fases”, ressalta Ana.
Animados com a produção e com a qualidade dos vinhos já produzidos, eles importam insumos da França, estão comprando maquinário novo importado da Itália e investindo em assistência técnica especializada. Querem fazer seu próprio vinho, expandir, triplicar a longo prazo. Consideram uma experiência nova e interessante, com valor agregado alto e muito mais rentável que várias outras produções rurais. “Depois de pronto, o desafio é vender. Mas ainda não estamos nessa fase, pois guardamos apenas pra degustação. Pretendemos produzir e vender em quantidade reduzida e alta qualidade”, finaliza Leonardo.

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